Entrevista com as bandas SIGMA 5 e ALLEGRO, sobre a volta aos palcos cariocas
em um show único no Teatro Odisséia no dia 07 de Julho de 2013 no Rio de
Janeiro, produzido pela Distúrbio Produções. E ainda um pouco da história
dessas duas lendas do metal do Rio de Janeiro!
1 - Qual a motivação de vocês para voltarem a fazer
show com a banda?
Lula (Allegro): Na verdade
tudo começou com um email do Fábio Costa, produtor e fundador do Garage que
infelizmente faleceu no ano passado. Ele me perguntou se eu não estaria afim de
fazer um show com o Allegro em homenagem aos 20 anos do antigo
"Garage" que agora começava a fazer seus shows no Teatro Odisséia. Eu
gostei da ideia até porque não tocava com a banda a anos e seria uma festa,
além de rolar uma saudade de fazer aquele som e tocar com o pessoal. A ideia
era ser apenas uma festa mas acabou sendo incrível a recepção do público.
Mauricio (Sigma 5): Eu estava sentindo falta de tocar. E, pra mim,
tocar é com o Sigma 5, sem desmerecer quaisquer outros músicos com quem já
toquei ou projetos dos quais participei. Subir no palco com esses caras, pra
tocar as músicas que compusemos juntos, que ensaiamos milhares de vezes e que
nos orgulhamos de apresentar é sempre um prazer muito grande. A gente sempre se
encontrou, nesse período em que não estávamos tocando, e falávamos em voltar a
fazer shows, então sabíamos que ia acontecer em algum momento.
Além disso, tem havido um movimento
pela volta da banda, principalmente no Facebook, que foi o empurrão que a gente
precisava pra voltar. Um monte de gente - alguns que a gente nem conhece
pessoalmente - se juntaram em um grupo e começaram a fazer "pressão"
pela volta da banda. Muito legal isso, pois foi espontâneo e, de certa forma,
inesperado. Foi a força que faltava.
João (Sigma 5): Foi uma série de
coisas. Um é o fato de sermos fominhas, a gente gosta de palco, de tocar ao
vivo. Ao menos o Mauricio, Riq e eu quando nos encontramos, sempre falamos em
tocar. Mas a gente não queria ter que mover o mundo para fazer um show.
Outro fator importante foram os shows
recentes do Allegro, um no final do ano passado e outro neste ano. No primeiro,
no próprio Teatro Odisséia, fui lá ver o que tava rolando e o show foi ótimo.
Além de ficar com a mão coçando pra tocar, vi que tinha uma penca de gente
super afim de ver não só o Allegro, mas as bandas daquela época. No segundo
levei o Mauricio pra ele também sentir essa vontade de tocar. Acho que deu
certo...
Ai apareceu o lance do grupo no
Facebook... finalmente, dei um toque no Lula (Allegro, Gallo Absurdo) para
aprontarmos algo juntos entre Allegro e Sigma 5. As condições estavam maduras,
os astros então se alinharam: era o momento. Não foi difícil fechar com o
Teatro Odisseia esse (primeiro?) show.
Allegro Teatro Odisséia 2012
2 - Falem um pouco da carreira da banda, para
os antigos fãs relembrarem e para os novos saberem um pouco da história e da importância
de cada uma das bandas no cenário de música pesada do Rio de Janeiro.
Lula (Allegro): O Allegro é uma banda que surgiu em 1995 no
underground carioca e numa época em que existia uma cena Rock n` roll bem forte
aqui no Rio em diversos seguimentos. As bandas se misturavam em diversos
estilos no mesmo show, era muito legal. Com o tempo a banda teve uma certa
projeção e a honra de subir aos palcos com bandas como Stratovarius, Saxon,
Exodos, Angra, Shaman, Dr. Sin, Korsus e outras importantes no cenário Heavy
Metal.
Mauricio (Sigma 5): O Sigma 5 foi fundado em 1995, e sempre cantou em
Português, misturando hard rock, heavy metal e progressivo. Durante os
primeiros 3 ou 4 anos, a gente participou de inúmeros festivais - basicamente
todos os que apareciam, mas alguns marcantes, como os FestValda, no Morro da
Urca, do qual participamos várias vezes, e o Skol Rock, que nos deu a
oportunidade de tocar no Imperator lotado, logo antes do Angra.
Em 1998, lançamos nosso primeiro
álbum, iNitIUm, que misturava algumas músicas que tinham feito parte das nossas
demos e gravações um pouco melhores que fizemos em um estúdio aqui do Rio.
Nessa gravação, conhecemos o Anderson DeBorba, que virou nosso empresário/produtor/motorista/amigo/irmão.
Em 1999, o Riq Therrys veio pra banda, e essa foi a nossa formação
definitiva. Continuávamos fazendo shows e tocando muito, levando a nossa música
aonde o povo estava. Se tinha lugar pra tocar, lá estava o Sigma 5. :)
Tocamos em todos os lugares que vocês
possam imaginar, no Rio, São Paulo, Santos, São José dos Campos, em casas de
show, teatros, ginásios, em quase todas as Lonas Culturais da Zona Oeste, em
bares diversos e até em lava à jato de automóveis. Se você tivesse chamado,
tínhamos tocado na festa seu sobrinho. :)
Em 2001, gravamos o Busca, nosso
álbum definitivo, no Discover, que era um dos melhores estúdios do Rio. Na
sequência, masterizamos no Sterling Sound, em Nova York, onde eram finalizados
os trabalhos do Metallica e diversos artistas do mesmo calibre. Essa foi a
nossa grande aposta. Ficou muito bom, um trabalho que até hoje é reconhecido e
que recebeu as melhores críticas possíveis mundo afora.
Na parte do lançamento as coisas não
correram como esperado. Havíamos investido pesado e o nosso objetivo era um
contrato com uma grande gravadora. Ficamos um bom tempo apalavrados com uma
major, mas não passou disso. Acabamos lançando o trabalho em 2002, em uma
parceria com dois selos: Rock Symphony, de Niterói, e Hellion Records, de
São Paulo. Ficamos orgulhosos, claro, mas não era exatamente o que esperávamos.
Nada a reclamar dos selos. Fizeram o que estava acordado. A Rock Symphony,
principalmente, nos ajudou bastante, e nos deu oportunidade de tocar em vários
eventos legais, como o Rio Art Rock Festival, e também com excelentes bandas
internacionais de rock progressivo, como o Flower Kings.
Após o Busca, a banda atingiu um
nível de reconhecimento muito alto, tínhamos um público fiel. Fizemos eventos
que marcaram a cena do rock pesado no Rio: as Sigma Parties, em duas edições -
a primeira no Garage e a segunda no Ballroom. Mas o nosso sonho já começava a
desvanecer. Não ia dar pra viver da música do Sigma 5.
O Riq talvez tenha sido o primeiro a
se tocar e buscar uma alternativa, quando deixou a banda no meio de 2003. Foi
tentar alcançar esse sucesso na música em outro lugar.
Mas a banda não parou. O Ivan Simas (ex-Tydra
e atual Federais) veio cantar com a gente. Tentamos mudar um pouco o estilo,
ser mais mainstream, mas não funcionou. Os últimos show foram em 2006, se eu
não me engano.
Só que eu, o Riq e o João (Saravia)
adoramos tocar juntos e adoramos fazer shows. Por isso estamos levando o Sigma
5 novamente ao palco. Desta vez com outros amigos/irmãos, que se engajaram
neste projeto. Quem for ao Teatro Odisséia no dia 07/06 certamente vai ver um
grande show.
Sigma 5 - Mauricio, Riq e João.
3 - Quais diferenças vocês veem entre o cenário de
hoje em dia e o do fim da década de 90 início de 00 para as bandas underground cariocas?
Pois vocês se sobressaiam em um tempo sem a internet ser tão forte como hoje.
Lula (Allegro): Confesso que estou um pouco por fora do cenário
por estar envolvido em outros projetos, mas quando começamos tocávamos em todos
os buracos possíveis para divulgar o som pois era o único jeito das pessoas
conhecerem realmente a banda e tentávamos aproveitar as oportunidades que nos
apareciam para que as pessoas acompanhassem o trabalho. O ao vivo pra mim
sempre foi o mais legal, é outra energia. Hoje é muito mais fácil das bandas
aparecerem e as pessoas conhecerem o seu som antes de ir no seu show, mas isso
não quer dizer que elas irão no seu show.
Mauricio (Sigma 5): Acho que hoje tem muita gente boa, muitos bons
músicos na cena underground do Rio. A gente vê a "mulecada"
arrebentando, tocando bem pra caramba, mas ainda vê poucas bandas com trabalhos
realmente consistentes.
Quando o Sigma 5 começou a tocar, já
estavam lá o Scars Souls, o Dust From Misery, logo depois veio o Imago Mortis,
um pouco depois o Allegro, entre muitos outros. Muita banda boa, com estilos
definidos e trabalhos bem fundamentados, além de excelentes músicos.
Quanto à cena, a dificuldade é
parecida, por um lado: poucos lugares bons pra tocar, poucos produtores
sérios...
Mas a facilidade da divulgação na
Internet hoje é bem maior do que há 10 anos. O Youtube, Soundcloud, Facebook e
outros ajudam bastante na divulgação das bandas.
E fazer gravações de qualidade hoje é
muito mais fácil. Em estúdios caseiros hoje é possível fazer bons trabalhos.
Quando a gente começou, para gravar com qualidade, só gastando muito dinheiro.
:)
4 - Os fãs podem esperar mais alguma
coisa além desse show de reunião? Uma música nova ou um álbum inteiro novo?
Lula (Allegro): Bom, quando o
Allegro parou nós já tínhamos feito gravações para um próximo album e acredito
que isto seja disponibilizado sim.
Mauricio (Sigma 5): A gente não quer criar expectativas para não se
frustrar de novo, mas, com certeza, temos lenha pra queimar ainda. Tudo vai
depender da receptividade, eu acho. A gente tem ideia de que as pessoas ainda
querem ver o Sigma 5. Mas precisamos confirmar na prática. Esse é o combustível
que a gente precisa pra continuar.
João (Sigma 5): De certo, um belo
show. Os ensaios estão ficando ótimos. E a gente sabe que vai emanar aquela
energia que sempre nos caracterizou, de tocar sempre "como se fosse a
última vez". A gente sabe, agora mais do que nunca, que eventualmente
acaba sendo. Mas fora esse show, não sabemos. Mas a gente vai sempre dar uma
forcinha para que os astros se alinhem novamente...
Allegro Teatro Odisséia 2012
5 - Hoje em dia vocês continuam na música? Tem
projetos musicais novos?
Lula (Allegro): Todos da banda tem
seus projetos. No meu caso tenho dois trabalhos instrumentais, um com o Gallo
Absurdo (www.galloabsurdo.com), um trabalho Fusion mais
guitarrístico e um Duo de violões com o grande violonista Caio Marcio (www.lulawashington.net). Recentemente
também lancei o Valvula que é um trabalho mais rock n`roll e que curiosamente
foi gravado na mesma época que o Allegro deu uma parada mas só agora foi
possível lançar. Aliás vamos fazer o show de abertura no dia 07/07 no Odisséia.
Na verdade o Valvula surgiu quando eu estava compondo para o Allegro e vi que a
história já tinha mudado e acabou virando outra banda e que mostra o que eu
estou afim de dizer no momento.
Mauricio (Sigma 5): Eu estava afastado, mas querendo voltar. Vinha
tocando com amigos, mas nada sério, realmente. O Riq é que se mantém bastante
ativo, em bandas de metal, como o Drink From Hell, e de cover, principalmente o
Ninguém Sai! O careca faz show toda semana! :)
João (Sigma 5): Muito pouco. Faço parte do Gallo Absurdo, uma
banda com o Lula (Allegro, Válvula) e com o Cláudio (Válvula, Dust From
Misery), que tem um cd instrumental lançado em 2009. Mas tocamos pouco. Tenho
outra banda, com o Cláudio também, o Xip's, que faz covers de músicas
internacionais anos 80. Mas essa é pura zoação. Enfim, tenho estado muito
afastado do meio musical.
Sigma 5 (2013) - Bruno, Mauricio, Riq, João e Thiago.
6 - Quais são as expectativas para esse show do dia
07 de Julho no Teatro Odisséia no Rio de Janeiro?
Lula (Allegro): As expectativas são as melhores, afinal vou tocar
em duas bandas na mesma noite, só espero ter fôlego para isto rs...
Mauricio (Sigma 5): A expectativa é de ter muita gente lá e de termos
um grande show. São 3 grandes bandas. Só amigos no palco. E recebemos muitas
mensagens no Facebook de gente dizendo que vai. Tem gente que disse que
vem de outros estados pra ver o show! Tomara! Queremos o pessoal feliz,
cantando com a gente e se divertindo como a gente sempre se diverte quando toca
as músicas do Sigma 5. Tenho certeza que vai ser uma noite muito especial.
João (Sigma 5): Quem for verá um showzasso. Os músicos são
excepcionais, e as bandas também. A gente não vê a hora de subir naquele palco.
Será uma noite para deixar guardada para sempre na memória.
Sigma 5 e
Allegro, com abertura do Valvula.
Dia 07 de Julho de 2013
Local: Teatro Odisséia, Av. Men de Sá 66, Rio de Janeiro
Local: Teatro Odisséia, Av. Men de Sá 66, Rio de Janeiro
As 18h
Ingressos:
Preço: R$ 30,00
Lista amiga : R$
25,00 ( Confirmação no evento )Ingressos:
Preço: R$ 30,00
Evento no Facebook:





Nenhum comentário:
Postar um comentário